terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Brasil: crescimento da economia ou da discrepância?

Na última edição da revista Exame (edição 962, de 24/2/2010), há uma matéria sobre o Seminário Econômico promovido pelo LIDE (Grupo de Líderes Empresariais), em São Paulo, no início de Fevereiro. Seu conteúdo nos obriga a realizar uma reflexão sobre se o Brasil descrito na reportagem é o mesmo em qual vivemos.

O seminário, sobre o qual se tratava a matéria, reuniu empresários do maior escalão do país (tais como Abílio Diniz, presidente do Grupo Pão de Açúcar, Kees Kruythoff, presidente da Unilever e Ivan Zurita, presidente da Nestlé), o senador Aloysio Mercadante, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O encontro possui um papel de “agenda econômica” e tem como finalidade discutir os comportamentos dos empresários para o ano (em relação aos seus investimentos, confiança no país, etc.). A edição deste ano comentou com grande satisfação o desempenho do Brasil após a crise de 2008. No encontro de 2009, os mesmos participantes da edição deste ano tiveram como compromisso manter os investimentos e a confiança no país, a fim de minimizar os impactos da crise. Tal compromisso obteve sucesso e fez com o que a economia brasileira se fortalecesse, dando condições aos empresários de grande porte continuarem investindo no Brasil, e confiando na prosperidade econômica que se espera para os próximos anos. A expectativa (de acordo com o ministro da Fazenda) é de um crescimento de cerca de 5% do PIB, com base na restauração dos níveis de consumo, investimento e confiança do país. Henrique Meirelles também comemora o fato do Brasil “ter deixado de ser visto como o país dos desejos e passado a ser visto como o país dos resultados”.

De fato, o Brasil está mesmo em um ótimo patamar econômico atualmente e possui expectativas com grandes chances de serem concretizadas. A confiabilidade do país subiu em decorrência de sua atuação durante e após o auge da crise. Nunca se foi tão otimista quanto à prosperidade econômica brasileira. Mas, obviamente, isso também se deve aos grandes eventos que seremos sede dentro dos próximos seis anos. Sediar uma Copa do Mundo e as Olimpíadas, em tese, trará grandes investimentos em áreas como infraestrutura, turismo, transportes, siderurgia, etc. E ainda há o pré-sal para atiçar mais os especuladores por aí. Enfim, o cenário está mesmo a favor do Brasil e, apesar da grande quantia que será gasta com a concretização do crescimento, muito dinheiro também entrará no país nos próximos anos.

Contudo, seu crescimento será realmente próspero se beneficiar desde sua base. O país deve deixar de ter duas caras; dois países em um só. O crescimento econômico não deve servir para aumentar as disparidades sociais do Brasil. Enquanto o Brasil vai bem no setor da economia, sua educação, por exemplo, cresce em ritmo de tartaruga. De acordo com os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, em 2005 os primeiros anos do ensino fundamental obtinham avaliação de 3,8 pontos em uma escala de 0 a 10. Em 2007 o índice subiu para 4,2 pontos. Já nas séries finais, o índice era de 3,5 e passou para 3,8 pontos em 2009. Enquanto o Ensino Médio subiu de 3,4 para 3,5 pontos. O Relatório de Monitoramento de Educação para Todos em 2010, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), também salienta a discrepância entre o Brasil da economia e o Brasil da população. De acordo com o documento, apesar da melhora vista de 1999 a 2007, o país ainda possui o maior índice de repetência do ensino fundamental da América Latina (18,7%), expressivamente acima da média mundial (2,9%). Ainda segundo o relatório da UNESCO, os gastos públicos com educação do país, em porcentagem do PIB, é de 1,6%, enquanto Cuba apresenta 4,0%.

A educação é apenas um exemplo da discrepância entre os dois “Brasis”, mas é por ela que se chega, homogênea e verdadeiramente, ao status de país desenvolvido que o país tanto almeja (mesmo sendo o caminho mais demorado). Pois não adianta nada podermos chegar à posição de 5ª maior economia do mundo até 2012 (como disse o Senador Mercadante), se continuarmos com índices baixos quanto à qualidade da educação e altos quanto a sua deficiência. Pois assim, a minoria viveria no Brasil 5º colocado, enquanto a maioria no Brasil ainda emergindo lentamente.

Essa situação delicada em que o país se encontra (em relação a qual rumo o Brasil tomará), leva-nos a refletir sobre como usufruiremos, da melhor maneira possível, nosso direito de votar. Afinal, o Brasil crescerá sim (e isso é muito positivo) nos próximos 10 anos, mas é preciso eleger pessoas que saibam administrar o crescimento do país e aproveitar os recursos que entrarão com o intuito de investir em sua base: a população e suas futuras gerações.

Fontes:

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2008/06/11/brasil_registra_melhoria_nos_indices_de_qualidade_da_educacao_basica__1353178.html

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,qualidade-da-educacao-no-brasil-ainda-e-baixa-aponta-unesco,498175,0.shtm

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Computador: ok. Internet: ok. E agora?

Estava lendo algumas coisas na internet hoje e encontrei uma matéria interessante, cujo conteúdo falava sobre o projeto que andou em discussão no começo dessa semana no governo: banda larga pública. Aqui, compartilharei minha opinião sobre o projeto. Para facilitar a compreensão, darei um breve resumo da reportagem para introduzir o assunto e inteirar quem não estava sabendo do plano. Ao final do texto deixo o link da fonte pra quem quiser se aprofundar na questão.

No dia dois de Fevereiro (última terça-feira), o presidente Lula se reuniu com representantes da sociedade civil para discutir a criação da PNBL (Plano Nacional de Banda Larga). Este plano, defendido por movimentos sociais, visa tornar o fornecimento de acesso à internet um serviço público. Porém não só disponibilizar o acesso, mas também conta com programas de inclusão digital (programas de financiamentos de equipamentos – como o Computador para Todos), estímulo às Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e discussões mais amplas sobre a política de produção e direitos autorais de conteúdo da web. O plano é complexo, e ainda será preciso mais várias reuniões a fim de estruturar minuciosamente sua aplicabilidade. Um dos pontos a serem decididos é se a Telebrás será de fato a gestora do novo serviço. Quanto a Telebrás, Lula disse que há grandes chances de fazê-la voltar a funcionar, ajudando os brasileiros a terem banda larga mais barata. A ideia do governo, segundo o presidente, é fazer com que este novo programa seja como o que foi o “Luz para Todos”, no setor elétrico. Existe a intenção de lançar o plano já este ano (ano de eleição, diga-se de passagem), mas ainda há muitas decisões a serem tomadas, pois, como falei, a estrutura do plano é complexa e precisa ser muito bem avaliada.

A matéria ainda relatada com mais profundidade o assunto, fornecendo alguns dados, mas por ora, com esse resumo geral, já dá para comentá-la.

Logo de cara já dá para identificarmos dois pontos positivos deste projeto. Primeiramente, vemos que o governo já está se envolvendo em outro setor estratégico da economia: a telecomunicação. Sabemos que o governo mantém empresas estatais em pontos estratégicos da economia, a fim de controlar o mercado para que não haja abusos na concorrência entre privados, prejudicando a população. Como exemplos, temos a Petrobrás e o Banco do Brasil. Se a Telebrás entrar de fato no mercado da telecomunicação, este setor sofrerá mudanças em sua concorrência, obrigando as empresas privadas a elevarem sua qualidade, oferecerem mais opções e, principalmente, baixarem os preços do serviço. Em segundo lugar, vemos que o governo está investindo no ramo certo. A internet, como todos nós já podemos perceber, fará cada vez mais parte da vida das pessoas, em um âmbito global. Este mundo oferece infinitas oportunidades de conhecimento, entretenimento e informação sobre qualquer assunto, a qualquer hora e lugar. Providenciar acesso à internet de qualidade gratuitamente à população e desenvolver programas de inclusão digital forçará o país a investir mais em tecnologia.

Entretanto, o segundo ponto que citei do projeto só será 100% positivo se outro fator estiver embutido nele. Quando falamos em investir em tecnologia, não podemos nos atrelar somente à questão técnica, focada apenas na realização do plano. Temos que interpretar “tecnologia” com uma linha fundamental para o sucesso desta nova empreitada do governo. A linha é a seguinte: primeiro o governo investe pesado em todo o sistema educacional do Brasil, aumentando sua qualidade. Com o desenvolvimento da educação, surgem dois pontos positivos: “intelectualização” da sociedade (isto é, melhorará o aproveitamento do acesso à informação) e produção de tecnologia.

A “intelectualização” se dá pela melhoria da formação de nossas crianças e jovens, que nascem nesta geração da internet, e a oportunidade de desenvolver o intelecto de toda a população. Isso fará com que a inclusão digital que o governo quer promover tenha solidez e não seja apenas uma inclusão, mas sim uma participação da sociedade no desenvolvimento do seu país. Pois dar computadores com acesso à internet à população, mas não ensiná-la a utilizar de maneira proveitosa este serviço, não ajudará no desenvolvimento interno do país, apenas no superficial. Ou seja, como promoção do Brasil, diríamos que temos livre acesso à informação de maneira homogênea, mas ainda estaríamos lá embaixo em rankings que avaliam a qualidade da educação. Chegaria a ser incoerente. Portanto, para evitar que isso aconteça, temos que ficar de olho no governo para que ele providencie o acesso, mas também trabalhe para que a população aproveite este acesso. É necessário melhorar a cultura e a educação do país andando junto com as atualizações da tecnologia.

O outro ponto positivo de se investir em educação, é a melhoria da qualidade da mão-de-obra do país. Com uma educação sólida e investimentos em tecnologia, seremos capazes de formar profissionais aptos a produzir tecnologia no Brasil e utilizá-la aqui, para sua população. Só assim deixaríamos de emergir e nos tornaríamos um país desenvolvido.

Bom, para finalizar, vou resumir minha opinião. Sou a favor da criação da PNBL, mas somente se ela vier com uma reforma na educação. Dar internet não significa desenvolver. Não adianta termos acesso a uma fonte preciosa se não sabemos mexe-la, se não temos uma formação que nos permita avaliar essa fonte e aproveitá-la de maneira benéfica ao país. O Brasil precisa sair de sua condição que diz que “o país vai bem, mas o povo não”. Para que consigamos chegar ao nível que queremos, o desenvolvimento tem que vir da base, do âmago do país e isso só a educação faz. Só a educação muda um país.


Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=575IPB003

sábado, 30 de janeiro de 2010

Tem culpa a enchente?

Bom, com toda essa chuvarada caindo em São Paulo todos os dias, o assunto das enchentes já faz parte de todos os noticiários. Basta ligar a televisão por volta das 19h e acompanhar em qualquer telejornal a situação da cidade, com as enchentes, bairros debaixo d’água, deslizamentos de terra, trânsito por causa das inundações, etc. Eu só consigo, talvez, imaginar como é difícil a situação das pessoas que moram nos pontos que alagam em São Paulo. Ter todo um trabalho de uma vida sendo arrastado pela água deve ser de um sofrimento enorme. E em meio a indignação dessa parte da população, é comum vermos reclamações e pessoas revoltadas com a prefeitura, mas será que ela é detentora de toda a culpa pelas enchentes?

O problema que São Paulo sofre toda vez que chove é a falta de planejamento da cidade, desde o início do século XX, quando ela começou a se desenvolver. Tanto a cidade como a grande São Paulo cresceram desordenadamente e o homem foi concretando toda a sua área verde, não deixando terra para absorção da água que vaza dos rios e córregos quando transbordam, por exemplo. Isso vale também para as áreas residenciais situadas embaixo de encostas ou em morros. Viver em locais assim é um risco que deveria ter sido contido antes de as pessoas construírem casas nesses lugares, pois é óbvio que teria risco de deslizamento caso houvesse muita chuva.

Outro fator que com certeza agrava a situação das pessoas que vivem em pontos de alagamento é, muitas vezes, o próprio comportamento delas quanto seus deveres de cidadãos. Esse dever é a preservação do meio ambiente, ou seja, não jogar lixo nas ruas, basicamente. Nós vemos nos jornais que as pessoas reclamam por uma limpeza melhor realizada pela prefeitura quanto ao lixo que está nas ruas, mas esse lixo foi jogado pelas próprias pessoas. Não adianta nada pedir para que haja retirada de entulho e lixo por parte da prefeitura, se jogamos lixo onde não devemos. Na minha rua mesmo, que não é um ponto de alagamento, já encontrei entulhos espalhados pela praça. Todo esse lixo impede a ação dos bueiros por entupi-los, sem deixar que a água entre neles, causando as enchentes.

A prefeitura tem, sim, que melhorar a coleta de lixo da cidade e trabalhar para remediar a situação das pessoas afetadas pela enchente, com soluções em curto prazo, para ajudar as famílias a sobreviverem durante esse período de chuvas e depois para se reconstruírem. Mas todos nós temos que contribuir também e deixando de jogar lixo e entulho nas ruas já é de grande ajuda.

Para concluir, digo que infelizmente a prefeitura, por ora, pode somente remediar o problema, porque preveni-lo, ainda demorará muito. Como disse, o problema da cidade é histórico e para resolvê-lo é necessário todo um planejamento de como arrumar espaço para a água sair da cidade, em meio a todo esse concreto. É preciso ter paciência e cobrar para que as soluções comecem a ser pensadas o quanto antes, para que elas entrem em prática o mais cedo possível.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Obama's control.

Como vocês já devem ter ouvido falar, o presidente dos Estados Unidos apresentou algumas medidas para regular mais as atividades dos bancos, a fim de controlar mais a economia e evitar novas crises como a de 2008.

Parece que aconteceu o que eu achei que deveria acontecer, quando disse, no texto postado em Novembro de 2008 (sobre a crise econômica), que o próximo presidente dos Estados Unidos tinha que mudar algumas atitudes de seu país em relação ao controle da economia. O presidente Obama anunciou que haverá mais rigor e limites aos riscos que as instituições financeiras norte-americanas podem assumir. O plano propõe impedimentos aos bancos para não controlarem, patrocinarem ou investirem em hedge funds ou private equity. A medida ainda proíbe as instituições de praticarem operações que não sejam relacionadas aos serviços prestados aos seus clientes, visando lucro próprio.

Creio que seja um bom começo para que haja mais segurança na economia dos Estados Unidos nos próximos anos. Afinal, de que adiantaria terem passado por uma crise se não houvesse nenhuma mudança após no sistema econômico, após sua recuperação? A economia estadunidense podia estar se recuperando do baque, mas estaria se reerguendo com as mesmas falhas que fizeram com que ela caísse. Agora, com esse plano de reforma, pode ser que as tais falhas sejam reparadas. Só o tempo dirá.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=965940&tit=Obama-propoe-novas-regras-de-risco-para-bancos

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Criminalidade ditando as regras.

Há alguns dias vi em um noticiário uma matéria que mostrava algumas peças de roupa, mochilas e bolsas feitas com itens e características que uniam a moda e o bom gosto à segurança. Depois que a assisti , fiquei pensando sobre o assunto e então decidi comentar aqui o que achei de seu conteúdo.

A reportagem mostrou algumas mochilas que não tinham simples fechos, mas cadeados com senhas, para dificultar bem qualquer tentativa de furto; calças com os bolsos mais fundos, para ficar mais fácil de perceber qualquer tentativa de acesso alheio a alguma coisa (como uma carteira ou celular) que esteja dentro deles; e bolsas com alças mais curtas e mais fechos, com os mesmos objetivos de complicar a ação dos gatunos por aí. De fato, as dicas que foram apresentadas na matéria pareceram ser bem eficazes na proteção dos nossos objetos pessoais. Contudo, vamos analisar sob outro ponto-de-vista o que representa essa matéria.

Deixando a eficácia e a objetivação de lado, é possível inferir a partir desta reportagem que cada vez mais é a criminalidade que dita as regras de como nós devemos nos portar nas ruas da cidade. Tais dicas como estas e outras que nós aprendemos no dia-a-dia, como evitar o uso do celular no meio da rua, evitar usar relógios muito bonitos e que pareçam caros, evitar usar tênis originais de alto valor, só fazem com que nós vivemos aos moldes do que o crime impõe à sociedade. Nosso modo de vida nas ruas é ditado pelo modo de como os crimes são cometidos. Se os bandidos estão agindo de determinada maneira, lá vamos nós nos adaptar de um jeito a fim de nos proteger (jeito, este, cada vez mais restrito, diga-se de passagem). Para dar um exemplo que reforce a ideia, imaginemos que algum conhecido seu disse que foi assaltado na rua e conta como foi. Na descrição do ocorrido, ele diz que estava usando um tênis caro e falando ao celular no centro da cidade, por volta do final da tarde. A reação da maioria seria dizer ao conhecido: “Ah, mas você também pediu pra ser assaltado, não é? Sabe que não pode usar esse tipo de tênis e ficar vacilando com o celular!”. Ou seja, ao invés de nos indignarmos com a violência e os bandidos, nós criticamos a vítima, como se ela fosse a culpada de ter sido assaltada, quando na verdade, o criminoso é quem é o errado, o bandido. Mas isso só mostra o quanto estamos acostumados a viver sob os moldes da criminalidade.

Isso não é justo. O crime é que deveria se adaptar a sociedade e não o contrário. Isto é, a sociedade deve exercer seu direito de ir e vir, livremente, podendo usar o que der na telha, sem ficar se moldando as ações de bandidos. É claro que isso é uma utopia, falando assim tão naturalmente. Mas há de se convir que tem alguma coisa errada. É como na música da banda O Rappa, na qual diz: “as grades do condomínio são pra trazer proteção, mas também trazem a dúvida se é você quem tá nessa prisão”. E trazem mesmo. Não só as grades do condomínio, mas todo o nosso modo de vida, com medo, cheio de adaptações e restrições.

Enfim, isso é uma questão a se pensar. É óbvio que nós temos que viver com cautela, sempre prezando a segurança, até porque uma cidade grande como São Paulo, onde as pessoas podem viver livre e tranquilamente é utopia mesmo. Mas temos que tomar cuidado para que não haja uma total inversão de valores. O crime está errado. Os criminosos é que deveriam viver sob restrições e medo e não nós. Vamos começar a pensar sobre isso, pensar a quem cobrar, pensar em como agir pra melhorar. Podemos começar votando melhor, mais conscientemente. Isso já ajuda.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Aquecimento global para esfriar o desenvolvimento global.

Este post aqui é para abrir os olhos de muita gente quando o assunto é aquecimento global.

Há alguns dias atrás, assisti na televisão um programa chamado Canal Livre, na Band, e nesse dia o entrevistado era o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas, Luiz Carlos Molion. Molion é defensor de uma ideia muito interessante e que vai de encontro com o senso comum atual sobre o aquecimento global. Durante a entrevista ele explicou de maneira detalhada e embasada em dados e pesquisas sua ideia e me deixou bastante interessado no assunto.

Depois do programa fui procurar na internet mais sobre o meteorologista e sua tese e achei um arquivo em pdf que explica com todos os detalhes seu trabalho. O arquivo, no entanto, está numa linguagem científica demais e então decidi procurar alguma coisa mais adaptado ao público geral. Achei esta entrevista que ele deu para o site da UOL: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/2009/12/11/nao-existe-aquecimento-global-diz-representante-da-omm-na-america-do-sul.jhtm

Sugiro que leiam esta entrevista. É muito interessante e eu acredito muito em tudo o que o professor diz. Isso nos faz interpretar de maneira bem diferente e muito mais fria toda essa nova onda de "amigos do ambiente" que os países desenvolvidos estão envolvidos.

O link também vai estar na barra de links que recomendo.

Haiti: vitrine ou ação humanitária?

Depois da lamentável tragédia que ocorreu no Haiti, devido ao terremoto que destruiu a cidade de Porto Príncipe, vários países, incluindo o Brasil, levantaram fundos e organizaram equipes de salvamento para mandar ao país, para sua reconstrução. Mas essa ação humanitária pode estar servindo de camuflagem para as reais intenções de nosso presidente Lula.

Sem entrar em muitos detalhes sobre o governo do presidente Lula, podemos dizer que seu mandato teve como um aspecto positivo a imagem do Brasil lá fora. A figura carismática do presidente e sua falta de critérios na hora de contatar ou negociar com países de diferentes posições no mundo, construíram a imagem de apaziguador, “amigo de todo mundo”, tanto para o país, como para o presidente. Não foi a toa que a confiabilidade do Brasil, em termos de investimentos (externo e interno), cresceu e até mesmo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, falou para Lula que ele era “o cara”. Devido ao grande destaque do Brasil perante a comunidade internacional, nosso país até já atuou em negociações de paz, como na época em que o Irã estava sendo pressionado a acabar com seu programa nuclear. Essa nova imagem e papel do Brasil fizeram com que nosso governo começasse a brigar por uma cadeira fixa no conselho da ONU e é por isso que devemos analisar melhor a ajuda que o Brasil está oferecendo ao Haiti, para tentarmos descobrir quais são as intenções do presidente Lula.

O governo federal do Brasil fechou o valor de R$35 milhões destinados ao apoio da reconstrução do Haiti. Adicionado a este pacote, contamos ainda com as tropas brasileiras que já haviam se instalado no país, após a decisão da ONU de enviar “tropas de paz”, a fim de conter uma possível guerra civil. Agora vejamos: todo esse dinheiro (que não é pouca quantia), independentemente da intenção na qual foi enviado, terá ótimo proveito e servirá, sim, para ajudar um país que de fato precisa de toda ajuda internacional que conseguir para se reerguer; porém, será que esse dinheiro não foi utilizado mais como marketing do Lula para promover o Brasil e a si mesmo aos olhos da ONU do que uma ação humanitária?

O desastre no Haiti foi lamentável, reitero, contudo, nosso país também está passando (como sempre passou) por várias situações tão trágicas quanto. Como, por exemplo, a cidade de Angra dos Reis, que sofreu com o deslizamento de terra, e de São Luiz do Paraitinga, que ficou totalmente destruída após as chuvas que estão acabando com o Estado e a cidade de São Paulo. Isso sem contar todos os outros problemas que o Brasil enfrenta e que não são de hoje, como a seca no Nordeste, as tempestades, tornados, vendavais do Sul, etc.

O que parece é que há mais importância em ajudar os outros do que Brasil. Sim, porque mandar R$35 milhões para o Haiti, quando o mundo inteiro está chocado com a tragédia e ajudando o país a se reconstruir dá mais ibope ao Brasil perante a comunidade internacional e a ONU. Agora, mandar R$35 milhões para Angra dos Reis e São Luiz do Paraitinga ninguém de fora vai notar, nenhum ibope vai crescer. Ibope este que pode não ser somente para o Brasil. Com o final de seu mandato chegando, tudo o que Lula conseguiu de imagem para o Brasil, ficou junto para sua própria imagem, assim como ações humanitárias iguais a essa para o Haiti. Ou seja, o Brasil quer uma cadeira fixa na ONU tanto quanto Lula pode estar querendo ser um próximo Kofi Annan (ex-secretário geral da ONU – cargo que pertence a Ban Ki-Moon atualmente).

Portanto, é importante se prezar por uma política externa favorável ao Brasil, mas não deixá-la como prioridade. A política externa deve ser tão boa quanto a interna, ainda mais agora que Lula já conseguiu, reforço, melhorar bastante a imagem do Brasil. Porém já está na hora do Brasil deixar de ser um país lindo apenas por fora. O Brasil vai bem, seu povo deve ir também.