Estava lendo algumas coisas na internet hoje e encontrei uma matéria interessante, cujo conteúdo falava sobre o projeto que andou em discussão no começo dessa semana no governo: banda larga pública. Aqui, compartilharei minha opinião sobre o projeto. Para facilitar a compreensão, darei um breve resumo da reportagem para introduzir o assunto e inteirar quem não estava sabendo do plano. Ao final do texto deixo o link da fonte pra quem quiser se aprofundar na questão.
No dia dois de Fevereiro (última terça-feira), o presidente Lula se reuniu com representantes da sociedade civil para discutir a criação da PNBL (Plano Nacional de Banda Larga). Este plano, defendido por movimentos sociais, visa tornar o fornecimento de acesso à internet um serviço público. Porém não só disponibilizar o acesso, mas também conta com programas de inclusão digital (programas de financiamentos de equipamentos – como o Computador para Todos), estímulo às Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e discussões mais amplas sobre a política de produção e direitos autorais de conteúdo da web. O plano é complexo, e ainda será preciso mais várias reuniões a fim de estruturar minuciosamente sua aplicabilidade. Um dos pontos a serem decididos é se a Telebrás será de fato a gestora do novo serviço. Quanto a Telebrás, Lula disse que há grandes chances de fazê-la voltar a funcionar, ajudando os brasileiros a terem banda larga mais barata. A ideia do governo, segundo o presidente, é fazer com que este novo programa seja como o que foi o “Luz para Todos”, no setor elétrico. Existe a intenção de lançar o plano já este ano (ano de eleição, diga-se de passagem), mas ainda há muitas decisões a serem tomadas, pois, como falei, a estrutura do plano é complexa e precisa ser muito bem avaliada.
A matéria ainda relatada com mais profundidade o assunto, fornecendo alguns dados, mas por ora, com esse resumo geral, já dá para comentá-la.
Logo de cara já dá para identificarmos dois pontos positivos deste projeto. Primeiramente, vemos que o governo já está se envolvendo em outro setor estratégico da economia: a telecomunicação. Sabemos que o governo mantém empresas estatais em pontos estratégicos da economia, a fim de controlar o mercado para que não haja abusos na concorrência entre privados, prejudicando a população. Como exemplos, temos a Petrobrás e o Banco do Brasil. Se a Telebrás entrar de fato no mercado da telecomunicação, este setor sofrerá mudanças em sua concorrência, obrigando as empresas privadas a elevarem sua qualidade, oferecerem mais opções e, principalmente, baixarem os preços do serviço. Em segundo lugar, vemos que o governo está investindo no ramo certo. A internet, como todos nós já podemos perceber, fará cada vez mais parte da vida das pessoas, em um âmbito global. Este mundo oferece infinitas oportunidades de conhecimento, entretenimento e informação sobre qualquer assunto, a qualquer hora e lugar. Providenciar acesso à internet de qualidade gratuitamente à população e desenvolver programas de inclusão digital forçará o país a investir mais em tecnologia.
Entretanto, o segundo ponto que citei do projeto só será 100% positivo se outro fator estiver embutido nele. Quando falamos em investir em tecnologia, não podemos nos atrelar somente à questão técnica, focada apenas na realização do plano. Temos que interpretar “tecnologia” com uma linha fundamental para o sucesso desta nova empreitada do governo. A linha é a seguinte: primeiro o governo investe pesado em todo o sistema educacional do Brasil, aumentando sua qualidade. Com o desenvolvimento da educação, surgem dois pontos positivos: “intelectualização” da sociedade (isto é, melhorará o aproveitamento do acesso à informação) e produção de tecnologia.
A “intelectualização” se dá pela melhoria da formação de nossas crianças e jovens, que nascem nesta geração da internet, e a oportunidade de desenvolver o intelecto de toda a população. Isso fará com que a inclusão digital que o governo quer promover tenha solidez e não seja apenas uma inclusão, mas sim uma participação da sociedade no desenvolvimento do seu país. Pois dar computadores com acesso à internet à população, mas não ensiná-la a utilizar de maneira proveitosa este serviço, não ajudará no desenvolvimento interno do país, apenas no superficial. Ou seja, como promoção do Brasil, diríamos que temos livre acesso à informação de maneira homogênea, mas ainda estaríamos lá embaixo em rankings que avaliam a qualidade da educação. Chegaria a ser incoerente. Portanto, para evitar que isso aconteça, temos que ficar de olho no governo para que ele providencie o acesso, mas também trabalhe para que a população aproveite este acesso. É necessário melhorar a cultura e a educação do país andando junto com as atualizações da tecnologia.
O outro ponto positivo de se investir em educação, é a melhoria da qualidade da mão-de-obra do país. Com uma educação sólida e investimentos em tecnologia, seremos capazes de formar profissionais aptos a produzir tecnologia no Brasil e utilizá-la aqui, para sua população. Só assim deixaríamos de emergir e nos tornaríamos um país desenvolvido.
Bom, para finalizar, vou resumir minha opinião. Sou a favor da criação da PNBL, mas somente se ela vier com uma reforma na educação. Dar internet não significa desenvolver. Não adianta termos acesso a uma fonte preciosa se não sabemos mexe-la, se não temos uma formação que nos permita avaliar essa fonte e aproveitá-la de maneira benéfica ao país. O Brasil precisa sair de sua condição que diz que “o país vai bem, mas o povo não”. Para que consigamos chegar ao nível que queremos, o desenvolvimento tem que vir da base, do âmago do país e isso só a educação faz. Só a educação muda um país.
Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=575IPB003
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