Na última edição da revista Exame (edição 962, de 24/2/2010), há uma matéria sobre o Seminário Econômico promovido pelo LIDE (Grupo de Líderes Empresariais),
O seminário, sobre o qual se tratava a matéria, reuniu empresários do maior escalão do país (tais como Abílio Diniz, presidente do Grupo Pão de Açúcar, Kees Kruythoff, presidente da Unilever e Ivan Zurita, presidente da Nestlé), o senador Aloysio Mercadante, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O encontro possui um papel de “agenda econômica” e tem como finalidade discutir os comportamentos dos empresários para o ano (em relação aos seus investimentos, confiança no país, etc.). A edição deste ano comentou com grande satisfação o desempenho do Brasil após a crise de 2008. No encontro de 2009, os mesmos participantes da edição deste ano tiveram como compromisso manter os investimentos e a confiança no país, a fim de minimizar os impactos da crise. Tal compromisso obteve sucesso e fez com o que a economia brasileira se fortalecesse, dando condições aos empresários de grande porte continuarem investindo no Brasil, e confiando na prosperidade econômica que se espera para os próximos anos. A expectativa (de acordo com o ministro da Fazenda) é de um crescimento de cerca de 5% do PIB, com base na restauração dos níveis de consumo, investimento e confiança do país. Henrique Meirelles também comemora o fato do Brasil “ter deixado de ser visto como o país dos desejos e passado a ser visto como o país dos resultados”.
De fato, o Brasil está mesmo em um ótimo patamar econômico atualmente e possui expectativas com grandes chances de serem concretizadas. A confiabilidade do país subiu em decorrência de sua atuação durante e após o auge da crise. Nunca se foi tão otimista quanto à prosperidade econômica brasileira. Mas, obviamente, isso também se deve aos grandes eventos que seremos sede dentro dos próximos seis anos. Sediar uma Copa do Mundo e as Olimpíadas, em tese, trará grandes investimentos em áreas como infraestrutura, turismo, transportes, siderurgia, etc. E ainda há o pré-sal para atiçar mais os especuladores por aí. Enfim, o cenário está mesmo a favor do Brasil e, apesar da grande quantia que será gasta com a concretização do crescimento, muito dinheiro também entrará no país nos próximos anos.
Contudo, seu crescimento será realmente próspero se beneficiar desde sua base. O país deve deixar de ter duas caras; dois países em um só. O crescimento econômico não deve servir para aumentar as disparidades sociais do Brasil. Enquanto o Brasil vai bem no setor da economia, sua educação, por exemplo, cresce em ritmo de tartaruga. De acordo com os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, em 2005 os primeiros anos do ensino fundamental obtinham avaliação de 3,8 pontos em uma escala de
A educação é apenas um exemplo da discrepância entre os dois “Brasis”, mas é por ela que se chega, homogênea e verdadeiramente, ao status de país desenvolvido que o país tanto almeja (mesmo sendo o caminho mais demorado). Pois não adianta nada podermos chegar à posição de 5ª maior economia do mundo até 2012 (como disse o Senador Mercadante), se continuarmos com índices baixos quanto à qualidade da educação e altos quanto a sua deficiência. Pois assim, a minoria viveria no Brasil 5º colocado, enquanto a maioria no Brasil ainda emergindo lentamente.
Essa situação delicada em que o país se encontra (em relação a qual rumo o Brasil tomará), leva-nos a refletir sobre como usufruiremos, da melhor maneira possível, nosso direito de votar. Afinal, o Brasil crescerá sim (e isso é muito positivo) nos próximos 10 anos, mas é preciso eleger pessoas que saibam administrar o crescimento do país e aproveitar os recursos que entrarão com o intuito de investir em sua base: a população e suas futuras gerações.
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