quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O acesso à informação e a ignorância funcional.

O texto a seguir se trata de uma reflexão sobre como aproveitamos a diversidade de meios de comunicação que temos para nos atualizar e estar a par de todos os eventos cotidianos, em um âmbito global, e coloca em questionamento a assimilação que as pessoas têm em relação as informações que lhes são passadas. Para facilitar a concretização destes objetivos, creio ser pertinente o fornecimento de uma breve introdução histórica explicando logicamente como chegamos à situação que nos encontramos atualmente.

Após o término da Segunda Guerra Mundial, o mundo se viu divido entre duas potências com ideais político/econômicos divergentes e rivais. Os EUA lideravam o lado defensor do Capitalismo, que era composto pelo Ocidente da Europa e outras nacionalidades (principalmente nas Américas). Já a URSS era defensora do Socialismo e tinha um caráter nacional, ou seja, diferentemente do lado Capitalista (onde os países aliados aos EUA obtinham identidade, moeda, língua e governos próprios), a URSS englobava os países do Leste europeu, porém todos eles serviam como uma nação só, sem qualquer distinção entre os mesmos. Devido à rivalidade entres esses países e ideais governamentais, ambos os lados iniciaram uma disputa ideológica onde surgiram alguns fatores benéficos à humanidade, que, talvez, não teriam ocorrido se não fosse essa disputa. Esta disputa foi chamada de Guerra Fria e os benefícios que decorreram dela se dão devido a revolução tecnológica ocorrida durante o período da guerra.

Como as duas nações corriam em busca da hegemonia mundial (ou seja, uma tentando se sobressair sobre a outra para fortalecer e expandir seus ideais político/econômicos para os outros países), tanto a URSS como os EUA investiram muito na área tecnológica de todos os segmentos (seja na ciência, indústria armamentista, produção de bens duráveis, etc). Nesta corrida, os EUA souberam desenvolver melhor seu país, pois abrangeram seus avanços à população, fazendo com que toda a nação pudesse se desenvolver, não se resumindo apenas a uma ameaça militar pra a URSS. Enquanto a URSS se via em crise, com sua população sofrendo sob péssimas condições de vida, devido a negligência e incompetência de seu governo que priorizou unicamente a indústria bélica, a fim de ameaçar os EUA.

A Guerra Fria teve seu término em 1991 com a dissipação da URSS (ou seja, fim da União Soviética) e nos apresentou uma nova faceta mundial. Agora, somente algumas nações ainda seguiam o Socialismo, pois os EUA saíram vencedores da disputa e o mundo estava, agora, capitalizado. Não obstante, com todos os avanços tecnológicos, o mundo estava prestes a conhecer uma nova idéia sobre a sociedade em um âmbito global. A globalização.

O Capitalismo inflou a economia mundial com seus conceitos de livre concorrência, empresas privadas e, consequentemente, mantinha a revolução tecnológica iniciada durante o conflito EUA x URSS. Juntamente com a economia, as características políticas do sistema, como os ideais democráticos e de liberdade de expressão, também se expandiram e se fortaleceram. Porém, agora, não está mais em disputa a hegemonia mundial, mas sim a influência sobre a população, mercado interno, mercado externo, economia, cultura, etc. Em meio a todos os avanços tecnológicos que os o mundo pôde acompanhar, um dos setores que mais avançou foi o do acesso à informação. Empresas privadas e estatais investiram muito em comunicação e hoje televisões, rádios, celulares e principalmente a internet fazem com que a comunicação nos tempos atuais seja instantânea, múltipla e facilitada. São vários os caminhos para que a mídia chegue até a população, porém isso pode se tornar um problema se relacionarmos a praticidade do acesso à informação com o ritmo da sociedade capitalista atual.

Todos nós sabemos que devido ao ritmo que o capitalismo impôs na sociedade, as pessoas estão com cada vez menos tempo livre para assimilar as informações que lhes são passadas. O cotidiano exaustivo da população, devido a carga de trabalho, muitas vezes faz com que não saibamos aproveitar totalmente o teor jornalístico contido em alguma notícia que acompanhamos, quando possuímos tempo para acompanhar. Em consequência disso, a sociedade acaba criando um senso comum sobre as coisas. Senso este, sustentado pela rotina das pessoas que trabalham de se atualizarem pelos meios mais práticos e rápidos possíveis (como internet e televisão), que acabam por ser as mesmas fontes para todas as pessoas.

Para tomarmos como exemplo de fonte comum à milhões de brasileiros pela televisão, temos o Jornal Nacional, da Rede Globo. A credibilidade da emissora garante a grande audiência do telejornal, que é transmitido em horário nobre, no qual a maioria dos trabalhadores já está em suas casas com tempo para assistirem televisão (no caso, para se atualizarem). Estes milhões de telespectadores assistindo ao jornal estão vendo as notícias sob apenas um ponto-de-vista (o da Globo) e dificilmente se interessarão em ir atrás de outras versões das notícias, em outras fontes, em decorrência da credibilidade do telejornal e da falta de tempo que citei há pouco. E é assim que criamos o senso comum, onde as pessoas acabam por assimilar as notícias sob apenas um ponto-de-vista, o qual eventualmente pode não condizer com seus valores e opiniões, mas acabam por se darem satisfeitas em apenas saber o que está acontecendo, sem a necessidade de por em prática seus sensos críticos.

Estamos caminhando para a Era da Ignorância Funcional. A ignorância que consiste em termos acesso à informação, porém uma informação sanada, sintetizada, prática aos moldes do cotidiano das pessoas. O ser humano deve refletir bem sobre seus conceitos. Não podemos aceitar alguma notícia do jeito que é apresentada, sem elaborarmos nossa própria opinião ou irmos atrás de versões diferentes sobre o mesmo assunto. Por mais que todas as outras pessoas ao seu redor assistam ao mesmo jornal que o seu, leiam a mesma revista que a sua ou acessem o mesmo site de sua preferência, que precisamos ter a mesma opinião sobre as informações adquiridas. A impressão que a humanidade transmite, hoje, é que pensar é difícil. Criar opiniões, julgar notícias, avaliar informações ocupa muito tempo e exige uma concentração que estamos nos esquecendo de dar a devida importância, portanto deixamos para que os especialistas façam por nós.

Deixemos a preguiça e o comodismo de lado para não sermos todos cabrestos. Precisamos nos organizar. Organizar nosso tempo. A imagem passada pelo mundo hoje em dia é que se você possui produtos de alta tecnologia, lê apenas um jornal, assiste um telejornal, e, principalmente, está por dentro de tudo o que acontece no mundo das “celebridades”, já pode ser caracterizado como uma pessoa com um intelecto respeitável. Mas não é assim que as coisas funcionam. Nós somos diferenciados dos animais por termos a capacidade de raciocinar, pensar, julgar. Não podemos dar prioridade aos bens materiais e nos esquecermos de exercitar nosso cérebro. Não é a toa que o país está como está. Enquanto os políticos “pintam e bordam” no governo, nós estamos aqui, apenas lendo, lendo, lendo. Como diria o crítico Arnaldo Jabor em relação a corrupção “nós nos horrorizamos e nos sentimos santificados, mas não fazemos nada”.

A cada ano que passa, são 10 anos a mais. O crescimento exponencial da tecnologia de hoje nos faz ‘progredir’ cada dia como se fosse um ano comparado ao passado. Daqui a pouco estamos inflados de tanta tecnologia e informação que não saberemos o que fazer, então, considerando o nosso comodismo e preguiça, voltaremos a idade da Média num ponto-de-vista intelecto/cultural, caso não comecemos desde já a organizarmos nosso tempo e mudar nossa postura, juntamente com as múltiplas maneiras de acesso à informação. Só assim aproveitaremos de maneira benéfica os avanços tecnológicos e nossa capacidade racional.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ongs: um mal necessário?

Após uma discussão da qual fiz parte sobre os problemas sociais que existem no Brasil, sejam eles frutos de tragédias, violência, doenças, negligência e/ou incompetência do governo, surgiu um questionamento sobre a atuação das ONGs na sociedade e aqui irei relatar minha avaliação sobre o papel das mesmas.

Atualmente é muito comum vermos notícias sobre ONGs ou instituições com o mesmo objetivo de promover algum tipo de apoio àqueles que necessitam de ajuda. Há vários tipos de ONGs que atendem diversas necessidades, como a pessoas com falta de comida e abrigo, portadores de doenças crônicas ou deficiências físicas. Algumas dessas ONGs são bem sucedidas, com melhores estruturas, enquanto outras são mais humildes, porém sem importar o tamanho da ONG, o objetivo de todas é o mesmo: acolher aqueles que precisam de uma atenção especial. No entanto, há alguns pontos-de-vista negativos em relação à presença de tantas ONGs no país.

Analisando friamente, a presença de ONGs em certas regiões carentes do país acaba por diminuir o papel do Estado perante suas obrigações como tal. É dever do Estado proporcionar à população condições básicas de saúde, educação, transporte e segurança para que se possa existir uma vida digna de maneira homogênea em todo território nacional. Grande parte dos impostos que pagamos (que no nosso caso, não são poucos) são destinados a esses quatro quesitos básicos de vida. Contudo, devido a presença de organizações não-governamentais, ocorre que o dinheiro que o Estado deveria investir, principalmente nas regiões mais necessitadas, acaba sendo minimizado, pois já há uma instituição arrecadando fundos para ajudar determinada região. Portanto, pode-se dizer que é de interesse do governo a existência de ONGs que fazem o trabalho do Estado, assim a quantia certa que deveria ser revertida para exercer a função do governo pode ser minimizada. E não só minimizada, mas pode se perder em esquemas corruptos, pois o governo de alguma cidade ou estado pode declarar que reverteu a quantia certa a fim de suprir as necessidades da população, mas na prática está destinando menos dinheiro do que declarou e o restante se perde nas mãos de políticos corruptos. No fim, concluímos que a população acaba pagando duas vezes por um serviço social, com seu dinheiro indo pelos impostos e pelas doações que sustentam as ONGs.

Ainda devemos considerar que uma organização não-governamental, como o próprio nome diz, é uma instituição privada. Logo é de suma importância, para quem tem o costume de fazer doações à ONGs e colaborar com o trabalho delas, estar presente, não só no patrocínio, mas sim na realização do trabalho da instituição. É preciso estar atento e se certificar de que não há alguém lucrando por trás da administração da ONGs, usando o dinheiro que era pra ser revertido aos necessitados, para fins pessoais (assim como ocorre em casos de corrupção no governo).

Para finalizar, registro que acho digno o trabalho das pessoas que se dedicam a ajudar os outros, estando próximas a elas, trabalhando em ou com ONGs, pois ajudar quem precisa é um ato muito nobre que deveria ser mais bem reconhecido e exaltado hoje em dia. Mas não podemos deixar de lembrar quem nós realmente devemos cobrar para que se faça seu trabalho: o governo (seja o Federal, Estadual ou Municipal). Trabalhar COM o governo, respeitando ao próximo, cumprindo com nossos deveres de cidadão e cobrando nossos direitos como tais, é uma coisa. Trabalhar PELO governo é outra.