domingo, 9 de novembro de 2008

"Estado mínimo quando nos convém, Estado máximo para o nosso bem."

Não podia deixar de comentar sobre a crise financeira que paira sobre o mundo hoje em dia. Crise qual representa o lado negativo de se viver em um mundo globalizado e capitalista, e que poderia ter sido evitada ou, no mínimo, amenizada, com algumas aulinhas de história e geografia e um pouco de menos de ganância.

Tudo começa com os bancos, que foram os principais responsáveis por dar condições a crise. Suas ofertas ilusórias de crédito e disponibilização de empréstimos a qualquer pessoa, sem importar seu histórico, condições ou reputação, fizeram com que qualquer pessoa nos Estados Unidos conseguisse realizar o sonho a americano, com uma casa própria e carro na garagem, pensando somente em seus lucros. Depois veio a população, que caiu na ilusão que o banco criou e sem calcular juros, preço final e sua condição de pagamento, pegou o empréstimo e foi viver o sonho americano. A partir deste cenário, já se é possível imaginar que esta história não acabaria bem. E de fato, não acabou.

A população só foi perceber no golpe que tinha caído quando o erro já era irreparável. Pela pior maneira, as pessoas perceberam que não teriam condições de pagar o empréstimo que pegaram dos bancos. Mas os bancos, por sua vez, continuavam a cobrar juros altíssimos, não ajudando em nada as condições de pagamento da população. Agora o cenário está assim: população presa a uma dívida que não consegue pagar e bancos cobrando uma dívida que não pode receber. Em consequência, inicia-se a reação em cadeia que dá início a crise: pessoas presas a uma dívida, logo param de consumir; sem consumo, a economia pára e empresas começam a dar sinais de crise; com empresas sem lucrar, o desemprego aumenta; sem emprego, a população tem condições ainda piores de pagar a dívida e acabam hipotecando suas casas e as perdendo por conta disso; os bancos além de deixar de ganhar dinheiro, ainda perdem, indo à falência; e assim por diante...

Após o estouro da crise, o governo dos Estados Unidos preparou um pacote de ajuda aos bancos, para evitar suas falências e ajudar a levantar a economia novamente. Mas isso de nada adiantaria, se os bancos não fizessem planos para reajustar a dívida da população. Ou seja, diminuir os juros, facilitar as condições de pagamento para a população, a fim de melhorar toda a corrente da crise e não somente os bancos. Afinal, com dívidas menores, o consumo se recuperaria mais cedo, de forma vagarosa, mas procedente. Mas os bancos queriam lucrar de todos os lados, tanto da ajuda do governo quanto da dívida da população.

O que intriga nessa situação toda é o fato de que essa crise poderia ter sido evitada ou pelo menos amenizada, como falei no começo do texto. O que gerou toda a crise foi a irresponsabilidade por parte dos bancos de terem mantido a postura de crédito fácil para qualquer cidadão americano, tendo em vista as dificuldades de pagamento que a população sofria. Ao invés de frear os empréstimos e assim controlar um pouco a situação, quiseram continuar cobrando dívidas das quais não receberiam pagamentos. Contudo, os bancos estavam fazendo apenas o que sua natureza manda: lucrar. Eles apenas procuraram lucrar, como qualquer outra empresa privada, mas usando a tática errada. Quem de fato deveria ter tentado evitar ou controlar a crise iminente, era o governo dos Estados Unidos.

A terra do Tio Sam representa bem o modelo neoliberalista, no qual o Estado interfere o mínimo possível na economia. Mas foi graças a este modelo político/econômico que a crise se alastrou. Se o governo dos Estados Unidos tivesse intervindo na economia, aumentando juros ou qualquer outra medida que freasse direta ou indiretamente a ação dos bancos, como prevenção, já teria ajudado. Agora nós vemos as falhas do modelo neoliberalista. O modelo que prega o Estado mínimo, agora depende dele para se reerguer. Empresas privadas, como os bancos, que reclamam quando o Estado intervém na economia, agora recebem pacotes para arcar com seus prejuízos. Ou seja, o ideal neoliberalista deveria mudar de “Estado mínimo” para “Estado mínimo quando nos convém, Estado máximo para o nosso bem”.

Vamos torcer para que agora o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mude a postura dos Estados Unidos em relação a economia. Tudo bem que se é necessário admitir que o capitalismo é caracterizado por um espiral desde os anos 1920, ou seja, a economia cresce, fica um tempo dando tudo certo, países e empresas lucrando, até que chega determinado ponto onde ocorre um fato político ou econômico que leva tudo para baixo, para se reerguer de novo. Mas isso não é saudável. Já está mais do que na hora dos países exercerem políticas preventivas e não ficar a mercê do mercado, como ocorre nos Estados Unidos (com seu modelo onde o Estado não intervém na economia, as empresas fazem o que querem, mas quando dá errado, lá vem o dinheiro público para consertar as falhas da economia).

Na época do fim da URSS, o neoliberalismo podia até ser apropriado, para alavancar o sistema capitalista, globalizar o mundo. Mas atualmente não se pode ficar mais a mercê de suas falhas. O mundo está globalizado demais e há milhões de pessoas que não podem mais pagar por erros de poucos, principalmente quando tais erros poderiam ter sido controlados ou evitados.

sábado, 21 de junho de 2008

Patriotismo. Por quê? Tem jogo do Brasil?

Em breve vem aí mais um ano de Copa do Mundo. Durante toda a competição, todos os brasileiros darão exemplo de o que é ser patriota. O país inteiro vestindo as cores da bandeira, enfeitando suas casas, carros, ruas, etc. Tudo para demonstrar o amor pela nação. Bateremos no peito com orgulho de sermos brasileiros, nos chamaremos de guerreiros e torceremos como se estivéssemos dentro de campo, ao lado dos jogadores, na luta! Durante a Copa, todos seremos irmãos, sorrindo uns para os outros. Mas, infelizmente, tudo isso não passa de uma hipocrisia. Durante o último jogo do Brasil, contra a Argentina, pelas eliminatórias da Copa, aconteceu algo que me inspirou a criar este texto.

Eu sou brasileiro, mas quanto ao futebol, prefiro torcer pela seleção argentina. Isso é uma simples questão de gosto pelo estilo que a seleção dos “hermanos” joga. Porém, muitas vezes (quando eu demonstro minha torcida pela Argentina) as pessoas me julgam, dizendo que isso é errado e que eu deveria torcer pelo Brasil, pois o Brasil é minha pátria. No dia do jogo que citei acima, isso aconteceu de novo. Mas desde quando futebol é sinônimo de patriotismo? Esse tipo de argumento só nos faz perceber o quanto o futebol está inserido na cultura brasileira, a ponto de significar patriotismo.

Para mim, patriotismo vai muito além do futebol, deixando-o como apenas mais uma forma (opcional) de se demonstrar amor pelo seu Brasil. Ser patriota significa ter orgulho de sua nação e lutar por ela. E no Brasil, é difícil ver esse patriotismo real. Já repararam em quantas bandeiras do Brasil nós vemos pelas ruas? Em época de eleições, o que vemos? Desinteresse. Desinteresse que culmina em voto inconsciente e com falta de acompanhamento de nossa política. E o que fazemos depois? Reclamamos da corrupção, nos desanimamos mais ainda em relação à política, fazendo com que nas próximas eleições todo o ciclo se repita novamente.

Ou seja, o futebol é só entretenimento, não uma expressão de patriotismo. Patriotismo é cuidar do país, mas com esse problema cultural do brasileiro, de se desinteressar por política, só expressa o quanto nós não ligamos para a nação. Torcer pela seleção não vai fazer o Brasil um país melhor, apenas dá a falsa impressão de sermos felizes e unidos, de estar tudo certo, após cada vitória da seleção.

No fim, o jogo Brasil x Argentina terminou empatado e no dia seguinte não vi ninguém batendo no peito com orgulho de ser brasileiro. Parece que até o patriotismo pela seleção é instável.